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04/01/2011

Pesquisadores da Una trabalham com metodologias computacionais de ponta que podem auxiliar no estudo da Malária


A malária está na lista da Organização Mundial de Saúde como uma doença tropical negligenciada que mata mais de 1 milhão de pessoas. O continente mais afetado é o africano e as principais vítimas são as crianças.  Conhecida também como paludismo a malária é uma doença infecciosa causada por um parasito chamado Plasmodium e é transmitida via picada da fêmea de um pernilongo anofelino.

Segundo Luciana Oliveira, professora do curso de Ciências Biológicas, com ênfase em Biotecnologia e Meio Ambiente da Una e uma das coordenadoras de uma pesquisa que identifica genes importantes para o combate à infecção do parasita causador da Malária, quando o Plasmodium  infecta os seres humanos eles se multiplicam no fígado e depois atacam as hemácias, células vermelhas do sangue. “Os sintomas da malária incluem febre, dores de cabeça, vômito e aparecem de 10 a 15 dias depois da picada do mosquito. Se não tratada a malária pode levar a morte, pois interrompe o suprimento de sangue para órgãos vitais”.

Luciana explica que em várias partes do mundo os parasitos têm desenvolvido resistência aos medicamentos utilizados no seu tratamento, o que faz com o que o combate à epidemia se torne cada vez mais difícil. “ Isso tem acontecido mesmo com as intervenções do governo que incluem o tratamento da população com a artemisina (medicamento importante no tratamento da doença), a utilização de equipes dedicadas a dedetização em áreass de risco para dedetização e a pulverização interna de residências (para o controle do mosquito).

“Um aspecto importante da complexa biologia do parasito está associado a sua capacidade de escapar da resposta imunológica do organismo infectado”, explica Luciana.

Esse mecanismo de evasão está associado à expressão alternada de membros de famílias de proteínas que acontece na superfície do parasito e serve como subterfúgio para driblar o sistema imunológico do hospedeiro. O estudo, identificação e posterior caracterização experimental dessas famílias de proteínas é muito importante e considerada uma via potencial para o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas”, diz.

Pesquisa Una

Dentro desse contexto, pesquisadores professores e alunos do Programa de  Iniciação Científica  da Una  têm concentrado seus  estudos em uma das grandes famílias de proteínas, a família BIR. “Essa família de proteínas, que se inseri dentro da superfamília PIR, é antigênica e parasita murinos (roedores) e assim sendo caracteriza-se como um excelente modelo experimental.

Através da utilização de dados genômicos disponíveis em bancos de dados de domínio público, nosso projeto tem como objetivo o estudo computacional (identificação e anotação gênica através de modelos matemáticos) de genes da família BIR. É importante salientar que nos genomas disponíveis a informação relacionada a esses genes ainda é escassa e inacurada”, comenta Luciana.

Desenvolvido na Una, o projeto integra vários professores da instituição (Luciana M. Oliveira, que lidera o desenvolvimento do projeto e Cristina Aparecida J. Souza, coordenação, além do aluno de iniciação científica (Douglas Vitor Pontes – 8º período de Ciências Biológicas).

Além disso, o projeto conta também com a colaboração de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz de Minas Gerais (CPqRR – FIOCRUZ, Dr. Jeronimo Ruiz, coordenação) e também do Centro de Doenças Infecciosas da Universidade de Medicina de Leiden, Holanda, que forneceram um conjunto de genes validados experimentalmente.

De acordo com professora Luciana Oliveira, neste momento o Projeto se encontra na fase de mineração de dados visando aumentar o conjunto de dados que serão utilizados para a construção do modelo matemático (Modelo de Markov), que será utilizado na varredura automática do genoma de P.berghei e viabilizará a identificação e a  caracterização computacional de todos os membros dessa importante família de proteínas.

“Na era genômica, a bioinformática revela-se como ferramenta fundamental para o estudo biológico, seja possibilitando a otimização de análises em larga escala, seja integrando predições feitas in silico à resultados experimentais. Nosso interesse está centrado na utilização de simulações computacionais através da bioinformática que modelam mecanismos, interações e sistemas biológicos”.

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