Alunos da primeira turma do curso de Cinema do Centro Universitário Una integram produtora reconhecida internacionalmente

Com 10 anos completos em 2019, a produtora Filmes de Plástico, reúne 4 jovens de Contagem, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Maurílio Martins, Gabriel Martins, André Novais Oliveira e Thiago Macêdo Correia, são apaixonados por cinema e falar de pessoas que moram na periferia, de onde eles vêm, é a principal narrativa de seus filmes, seja curta ou longa metragem. “Fazer filmes com pessoas do nosso bairro é natural para a gente. É uma busca inconsciente de ver pessoas que a gente sempre quis ver no cinema”, comenta Maurílio.

 

O primeiro curta (Filme de Sábado) foi lançado em 2008, ainda na faculdade. Maurílio e Gabriel, alunos da Una, convidaram André e Thiago para compor a equipe. Eles se conheceram anteriormente, quando faziam um curso na Escola Livre de Cinema, alguns anos antes.

Em 2009 surgiu a produtora. Eles garantem que o nome não tem um significado especial, mas vêm sendo cada vez mais conhecido na cena do cinema nacional e internacional.

O reitor da Una, Rafael Ciccarini, conheceu o grupo ainda no início, quando ele era editor de um site chamado Revista Eletrônica Filmes Polvo e os rapazes exercitavam ali a crítica de cinema. “Esses meninos transitaram no centro da cinefilia de Belo Horizonte. São inteligentes, cultos, bem informados sobre cinema, mas sem a afetação do intelectual clássico. Terem surgido num espaço periférico sem tradição cinematográfica, sem mercado, foi uma libertação criativa para eles. Eles jamais se deixaram tolher pela tradição cinéfila da capital.”, comenta Ciccarini.

 

E foi com um curta chamado “Contagem” que o grupo de Contagem começou a ser conhecido.

Juntos seus filmes já foram selecionados em mais de 200 festivais no Brasil e no mundo como a Quinzena dos Realizadores em Cannes, Festival de Cinema de Locarno, Festival de Rotterdam, FID Marseille, Indie Lisboa, BAFICI, Festival de Cartagena, Los Angeles Brazilian Film Festival, Festival de Cinema de Brasília e Mostra de Cinema de Tiradentes, ganhando mais de 50 prêmios.

“Com sensibilidade incomum para narrar a vida na periferia de uma metrópole e produções de baixo orçamento, em que uns diretores cooperam com os outros, eles transformaram Contagem no novo centro criativo do cinema brasileiro, chamando a atenção da crítica brasileira e Internacional”, escreveu o jornalista Tiago Coelho, da revista Piauí, em um artigo dedicado ao grupo. A Piauí é uma das maiores e mais prestigiadas revistas do país e Coelho, como um bom cronista e contador de histórias, escreveu um artigo de 20 páginas, que saiu na edição de abril/2020, sobre a trajetória dos fundadores do Filmes de Plástico. Leia aqui na íntegra.

 

Fazendo diferente do cinema brasileiro, que insiste em mostrar a os personagens periféricos como “figuras simbólicas e sem particularidades, como se não tivessem direito à individualidade”, eles garantem que usam os filmes, não para representar essas pessoas, mas sim para falar com elas.

“A gente não representa ninguém. O que fazemos é apresentar essas pessoas. Muitas pessoas do lugar onde moramos podem até não gostar ou se identificar com o cinema que a gente faz. É um cinema que apresenta esse lugar e essa geografia, um jeito de falar, uma maneira de viver. Mas nós falamos com essas pessoas, não em nome delas.”

Conheça mais a produtora Filmes de Plástico, clicando aqui.


Foto: Site da produtora