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Competências socioemocionais: o que são e como desenvolvê-las

Algumas habilidades emocionais e comportamentais serão mais importantes para formação do cidadão do que determinados conhecimentos técnicos

Pensamento crítico, capacidade de se comunicar, trabalhar em equipe, resolver problemas. Qual profissional não precisa de habilidades assim? Que empresa não necessita que seus colaboradores tenham tais características?

Chamadas de competências socioemocionais ou não cognitivas, elas contribuem para a formação de um cidadão socialmente responsável, que sabe lidar com as próprias emoções e nas relações com o mundo. Elas podem ser definidas por um conjunto de aptidões desenvolvidas a partir da inteligência emocional de cada indivíduo. 

Por isso, embora não estejam dentro do escopo de competências técnicas exigidas pelas profissões, as competências socioemocionais têm cada vez mais ganhado importância e espaço nos currículos das instituições de ensino. 

‘Conhecimentos isolados não alavancam carreiras’

Quando as habilidades socioemocionais são trabalhadas concomitantemente ao conteúdo técnico, todo mundo ganha. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ayrton Senna aponta que, inclusive, uma depende da outra para se desenvolver. Juntas, elas colaboram para a formação de maneira plena do ser humano.

Por isso, ressalta Ricardo Cançado, vice-presidente de operações da Ânima Educação, as habilidades socioemocionais têm de estar muito articuladas na construção do percurso formativo dos alunos. “Nem conhecimento técnico nem domínio das competências não cognitivas são capazes de, isoladamente, fomentar e alavancar as carreiras e sonhos dos nossos alunos. Eles precisam andar juntos.”

Competências socioemocionais no centro do projeto Ânima desde 2014 

Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que norteia os currículos das escolas de educação básica no Brasil, as habilidades socioemocionais estão presentes em todas as dez competências gerais. 

No ensino superior, a Ânima Educação foi precursora ao valorizar as competências socioemocionais e deixá-las na centralidade do seu projeto pedagógico desde 2014. Sete delas foram eleitas como primordiais e são desenvolvidas nos currículos das instituições que compõem o grupo. São elas: pensamento crítico, resolução de problemas, criatividade, inovação, comunicação, colaboração e identidade.

“Pensamento crítico, capacidade de resolver problemas complexos ou de se comunicar são habilidades muito mais importantes para o mundo do que saber a fórmula de Bhaskara. Se eu preciso usar esse tipo de fórmula, vou lá e aprendo”, afirma Rafael Ávila, diretor de inovação da Ânima Educação. 

Ávila reforça que cada aluno que está na universidade tem um projeto de vida diferente. “Precisamos ajudá-los a desenvolver suas habilidades socioemocionais respeitando o que eles desejam em termos de vida e carreira. As pessoas precisam entender que existem habilidades socioemocionais que vão ser mais relevantes para o mundo para formar um bom profissional do que determinados conteúdos”, afirma.   

Por que as habilidades socioemocionais são importantes?

Ao desenvolver as competências não cognitivas, as instituições de ensino contribuem para a formação de um aluno mais autônomo, crítico e capaz de ser protagonista de sua aprendizagem. O indivíduo que sabe lidar com suas emoções está mais preparado para enfrentar e propor soluções para os desafios do século 21.

Segundo Ricardo Cançado, as habilidades socioemocionais também serão importantes para promover a verdadeira diversidade das instituições de ensino. 

“As universidades estarão cada vez mais extrovertidas e vão precisar interagir com a diversidade sob todos os aspectos, culturais, de línguas, crenças, valores. Saber trabalhar e pensar em grupo vai ser o passaporte para a interação dos alunos. Serão elementos fundamentais para que ele navegue no novo mundo de trabalho, das organizações”, finaliza. 

As atividades em grupo são poderosas aliadas do desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Em turmas, os alunos podem ser desafiados a buscar soluções para problemas reais da carreira e ter de lidar com sentimentos como frustração, capacidade de liderança e senso de cooperação. 

Outro exercício muito rico é sugerir que os estudantes analisem dilemas éticos. Dessa forma, eles podem exercitar habilidades como o pensamento crítico e o autoconhecimento.

Competências socioemocionais na prática

No Centro Universitário Una, todos os membros do corpo docente, novos e antigos, passam anualmente por um programa de desenvolvimento chamado Sala Mais, uma espécie de formação de educadores na qual as metodologias são aprimoradas, incluindo métodos de aplicar habilidades emocionais e sociais em sala de aula.

“No Sala Mais, criamos oficinas colaborativas, um espaço de troca entre educadores de nossos campi, e convidamos especialistas da Ânima Educação para atualizar as metodologias aplicadas em aula”, resume Elaine Andrade Santos, Coordenadora de Pós Graduação da Una Contagem, em Minas Gerais.

O objetivo é, sempre, colocar o aluno no centro do seu processo de aprendizagem, o que auxilia no seu amadurecimento e no desenvolvimento  da habilidade de trabalhar em equipe. “São habilidades sociais extremamente valorizadas no mercado de trabalho, principalmente em cargos de liderança”, completa a educadora. 

Como as competências socioemocionais auxiliam na luta contra as doenças do século XXI

Alcançar um bom desenvolvimento de habilidades socioemocionais tem ainda um benefício extra: ajuda a combater problemas como ansiedade e depressão.

Isso é especialmente importante nesta época em que o aumento da competitividade no trabalho, principalmente no mercado corporativo, fez crescer de forma vertiginosa transtornos mentais relacionados ao estresse, de tal modo que a Organização Mundial da Saúde passou a considerar especificamente a depressão como o “mal do século XXI”.

“Competências socioemocionais são atributos que facilitam o relacionamento interpessoal a partir de um melhor autoconhecimento e amadurecimento. Isso permite uma melhor administração emocional muito mais evoluída em momentos de estresse e crises”, conclui Elaine Santos.